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Coluna 'Filhas & Mães' de Angélica Rizzi
Por Guto Villanova
Publicado em 12/09/2026 14:25
Cultura
E se a Sra. Bennet tivesse um grupo de WhatsApp com as filhas? Provavelmente estaria em colapso permanente, mandando áudios longos sobre os "nervos" e correntes de oração para o Sr. Bingley finalmente pedir Jane em casamento! 
Inauguro hoje a coluna Filhas & Mães na Literatura Mundial (nesta edição)mergulhando em Orgulho e Preconceito, de Jane Austen. A relação entre a Sra. Bennet e a sarcástica Elizabeth é o retrato perfeito de como o afeto feminino sobrevive às pressões de cada época.
Muitas vezes rotulada como fútil, a Sra. Bennet era, no fundo, movida pelo pavor da vulnerabilidade das filhas em um mundo sem direitos ou herança. No século XXI, trocamos os bailes de Meryton pelas redes sociais e os casamentos arranjados por algoritmos, mas a ansiedade materna continua nos vestindo como um espartilho invisível. Quantas mães de hoje não ecoam essa preocupação, enquanto tantas Elizabeths reviram os olhos diante dos conselhos sobre estabilidade e "jeito de arrumar alguém"?
O abismo entre filhas e mães nunca foi falta de amor, mas um desencontro de urgências: para a mãe, a segurança de amanhã; para a filha, a integridade da alma.
Entre o desespero de quem protege pelo medo e o passo altivo de quem quer o mundo, o laço permanece intacto — seja sob anáguas  inglesas ou telas de celular.
Para refletir: Se Elizabeth e a Sra. Bennet vivessem hoje, o botão de "silenciar notificações" traria paz ou só aumentaria o orgulho e o preconceito entre elas?
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