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Coluna Julietas & Romeus de Angélica Rizzi - Gatsby na Era do Scroll Infinito
Por Guto Villanova
Publicado em 12/09/2026 14:20
Cultura
Existe algo de profundamente doloroso na maneira como F. Scott Fitzgerald nos apresentou a obsessão romântica em O Grande Gatsby. Para o protagonista, o passado não era mera lembrança; era um território físico a ser reconquistado, banhado por aquela luz verde distante na ponta do cais.
Enquanto caminhava com o meu pet Cebolinha pelas ruas , perguntei-me: o que seria desse amor na era do scroll infinito e dos stories? Hoje, Gatsby não daria festas sumptuosas; compraria anúncios patrocinados no Instagram. Seu perfil seria impecável — estética old money, selo azul e legendas melancólicas —, embora estivesse bloqueado nos statusl de Daisy havia três anos.
No século XXI, a ilusão ganhou ferramentas  e alimenta-se de feeds. Daisy, por sua vez, navegaria em silêncio por essa vitrine digital, talvez curtindo uma foto antiga por acidente às três da manhã — o equivalente moderno à luz verde na neblina —, para logo voltar à sua vida vazia ao lado de Tom Buchanan.
O que mudou não foi a essência do dencontro, mas a velocidade. Hoje, confundimos saudade com arquivo digital, guardando conversas inteiras como relicários.
Gatsby falhou porque acreditava que o tempo podia ser dobrado pelo desejo. E talvez seja exatamente isso que nos mantém humanos: a mania teimosa de continuar a correr, “barcos contra a corrente, a se arrastar incessantemente para o passado”, seja sob os fogos de Long Island ou sob o brilho frio de uma tela de celular.
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