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Nova Coluna Retrô por Guto Villanova – Quando as lojas de discos eram o nosso streaming
Por Guto Villanova
Publicado em 26/07/2026 00:50 • Atualizado 30/07/2026 18:16
Cultura

Nem sempre a vida foi feita de streaming. Houve um tempo em que, além do rádio, era necessário ter em casa um aparelho para reproduzir música em mídia física: um toca-discos, um toca-fitas cassete ou um CD player. Muitas vezes, um aparelho de som "3 em 1" resolvia tudo e ocupava lugar de destaque na sala de casa.

Depois, o tempo passou. A tecnologia mudou e ficou a nostalgia de uma época em que o rádio e as lojas de discos movimentavam um mercado inteiro e influenciavam um jeito muito particular de viver a música.

Hoje, com acesso à internet, temos à disposição um acervo praticamente infinito. Basta um clique no celular, no computador ou em qualquer outro dispositivo para ouvir quase qualquer artista. Com o bluetooth, a música acompanha nosso dia a dia em caixas de som, televisores, fones de ouvido e tantos outros equipamentos.

Adaptamo-nos a essa nova forma de consumir uma das mais belas manifestações artísticas já criadas. Mas, nesta coluna, gostaria de recordar algumas lojas de Porto Alegre que fizeram a alegria dos apaixonados pelo antigo modo de ouvir música. Desta vez, relembro duas que marcaram época na capital gaúcha: a CD Express, na Avenida Independência, e a The Wall, no Shopping Iguatemi.

CD Express: o ritual de descobrir música

Era a metade dos anos 1990. Eu costumava pegar uma lotação até a tradicional Avenida Independência, muitas vezes acompanhado dos amigos. Chegávamos à CD Express e começava um verdadeiro ritual: escolher os CDs, colocar os fones de ouvido disponíveis para ouvir algumas faixas e enfrentar a dúvida inevitável: alugar ou comprar?

Na maioria das vezes, a escolha recaía sobre o aluguel. Depois, em casa, aqueles Compact Discs acabavam se transformando em utilíssimas — e hoje charmosamente nostálgicas — fitas K7. Era uma época de acaloradas discussões musicais. As referências vinham da revista Bizz, dos cadernos culturais dos jornais, da MTV Brasil em seus primeiros anos e, naturalmente, de um rádio verdadeiramente "raiz".

Foi também na CD Express que comprei um dos discos mais importantes da minha coleção: A Night at the Opera, do Queen. Levar aquele álbum para casa foi mais do que adquirir um CD; era ter em mãos uma obra que já carregava status de clássico e que continua sendo uma das grandes referências da história do rock.

The Wall: um templo da boa música

Outra loja que deixou saudades foi a The Wall, localizada no Shopping Iguatemi. O estabelecimento era especializado em CDs e vídeos importados, muitos deles difíceis de encontrar em qualquer outro lugar. Na maioria das visitas eu apenas entrava para conferir as novidades que haviam chegado. Era quase um passeio obrigatório para quem gostava de música.Foi lá que comprei o álbum duplo The Best of The Doors, a trilha sonora de Flash Gordon, composta pelo Queen, e o álbum ao vivo Strange Fruits, do Cranberries.

Alguns discos, porém, permaneceram apenas no campo do desejo, como a edição importada de The Head on the Door, do The Cure, e Strange Days, do The Doors.A The Wall também foi responsável por aumentar minha coleção de VHS musicais. Entre eles estavam The Doors Live at the Hollywood Bowl, The Doors – The Soft Parade: A Retrospective e uma coletânea de videoclipes do Queen em Greatest Hits.

Abaixo, compartilho uma memorabilia que guardo com carinho da lendária The Wall.

 

O grande guitarrista Frank Solari, que eu e meu colega de programa Histórias Musicais, Geraldo Costa, tivemos a oportunidade de entrevistar em meados dos anos 2000 na Rádio da UFRGS 1080 AM.  

Nos meus tempos de programa Brasil Zun-Zun: misturando vinil, fita K7 e CD com MP3 e Streaming

Geraldo Costa, Julio Reny e Guto Villanova. Uma das entrevistas que realizamos com essa lenda do rock gaúcho dentro do programa 'Histórias Musicais', nos 1080 AM da Rádio da UFRGS.  

As lojas de discos eram muito mais do que pontos de venda. Eram espaços de descoberta, encontros, conversas e formação musical. Ali fazíamos amizades, trocávamos recomendações e alimentávamos nossa paixão por bandas e artistas. Hoje, o streaming oferece praticamente tudo, mas dificilmente reproduz a experiência de revirar prateleiras, encontrar um lançamento inesperado ou simplesmente passar horas conversando sobre música.

Dedico esta segunda Coluna Retrô aos amigos "das antigas" que viveram essa época comigo: Serginho Carvalho, Luís F. Rothfuchs, Guilherme C. Wagner, Marcelo Toledo (Paulista), Fábio B. Machado, Daniel Schneider, Eduardo Saraiva e Bruno de Bem.

Também estendo a homenagem aos amigos que conheci posteriormente por intermédio da música, entre eles André Rosa, do Canal Papo Destilado no YouTube; Mozart Dutra, meu colega de apresentação no programa Sonoridades, da Rádio da UFRGS AM 1080, entre 2009 e 2019; e Oswaldo Marques, do Musisfera Blog.

Até a próxima coluna.

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