Quando o céu de Porto Alegre desaba em chuva, o som que ecoa pela casa é o mais doce do mundo: o rodar manso das rodinhas do Cebolinha pelo assoalho. Com dezesseis anos e sete meses, meu velhinho cadeirante me ensina todos os dias a arte de desacelerar, e foi essa urgência de guardar cada pedacinho da nossa história que me inspirou a eternizá-lo em livro.
Mas, quando o temporal aperta e a grama molhada pede trégua, a nossa rotina ganha um toque de aventura: eu, o Cebolinha e meu amor, o jornalista Guto Villanova, arrumamos tudo e corremos para passear nos corredores quentinhos e iluminados do Shopping Wallig. Entre uma vitrine e outra, nosso guerreirinho de pelos brancos desfila com sua cadeirinha, espalhando charme e provando que qualquer tarde cinzenta vira a melhor festa quando estamos nós três juntinhos.