Sobre Michael: a cinebiografia do Rei do Pop
Assisti há um tempinho no cinema ao filme ‘Michael’, que conta a história do astro desde seus tempos no Jackson Five, onde criança já brilhava, até o auge da carreira dele com a turnê mundial de ‘Bad’ (1987). É verdade que gostei mais, por exemplo, de Bohemian Rhapsody (2018) sobre o Queen, mas o filme sobre o ‘Rei do Pop’ é, na minha opinião, bem superior a outros filmes dedicados a grandes nomes da música, como ‘Rocket Man’ (2019) sobre Elton John e ‘Springsteen: Salve-me do Desconhecido’ (2025), sobre Bruce Springsteen.
A escolha do sobrinho de Michael Jackson, Jaafar Jackson, para interpretá-lo foi um grande acerto. Ele está bastante convincente no papel do tio. As cenas de dança impressionam pela semelhança com as performances originais e ele inclusive canta, tendo sua voz misturada com a de Michael no filme. A relação tumultuada entre o ‘Rei do Pop’ e o pai, Joseph (Joe), também aparece na história e procura explicar o porquê da infantilização do ídolo, privado de ser criança para estar nos palcos e ensaios. O ator Miles Teller no papel do advogado e empresário do cantor, John Branca, também é um destaque positivo no elenco. A produção já é a cinebiografia de maior bilheteria de todos os tempos e já há uma continuação sendo preparada.
Meu amigo Leonardo Carbonera me lembrou em conversa da ausência no roteiro da participação do cantor em ‘We Are The World’ (1985). E realmente não está no filme. Confesso que nem me dei conta disso, já que estava tão absorto vendo como era o processo criativo de Michael em álbuns solo como: ‘Off the Wall’ (1979), ‘Thriller’ (1982) e ‘Bad’ (1987), que acabou passando batido. A reconstituição de época também é outro acerto do filme, muito convincente, e nos coloca quase em transe numa emocionante viagem para décadas passadas.
Capa do LP ‘We Are the World’ (1985), que ouvi “até gastar” lá naquela década inesquecível que foi considerada a época de ouro do Pop. Michael é coautor da canção-título e um dos principais arranjadores do projeto ‘Usa for Africa’. Álbum que está na ’vinilteca’ deste jornalista.
Sei que teve quem não gostou do filme. Inclusive colegas jornalistas que admiro muito e que sabem muito mais de música e de cinema do que eu. Mas vou dar uma nota 9 para a cinebiografia do Rei do Pop. Sei que o roteiro foge das polêmicas envolvendo o astro (Parcialidade?) e a produção foi supervisionada de perto pela família Jackson, mas vou deixar de lado um rigor mais técnico e crítico para uma abordagem mais sentimentalista e nostálgica. Como não estou na revista Set (uma revista especializada em cinema que circulou entre 1987 e 2010), posso me conceder essa liberdade.
Era criança nos Anos 1980, onde havia uma ‘Michaelmania. Lembro da criançada do prédio onde eu morava naquela década tentando emular o passo Moonwalk. Assisti ao filme ‘Moonwalker’ (1988) no histórico Cine Astor na Avenida Benjamin Constant. Joguei muito fliperama e um dos jogos que mais tenho na memória era aquele baseado na saga de Michael x Mr. Big. O arcade inclusive toca algumas canções do Rei do Pop enquanto o jogo desenrola.

Capa do clássico álbum ‘Thriller’ (1982), que tenho na minha ‘’CDteca’’. É uma edição de 2001 que traz as 9 faixas originais mais bonus tracks, como uma gravação caseira de Billie Jean do ano de 1981.
Quando Michael Jackson morreu em 25 de junho de 2009, eu estava nos finalmentes da minha graduação em jornalismo na PUCRS. Lembro que no dia da passagem do astro, uma colega comentou comigo algo como: ‘’O mundo não será mais o mesmo sem ele’’. Mesmo que alguns achem a afirmativa exagerada, não dá para negar que naquele fatídico dia de quase 20 anos atrás, a humanidade se despedia de um músico, cantor, compositor, intérprete e dançarino irrepetível. Alguém que certa feita Caetano Veloso definiu como: ‘‘O artista pop total’’.

Capa do álbum ‘Forever, Michael’ (1975), que tenho na minha “vinilteca”. A balada romântica ‘One Day in Your Life’ entrou na novela da Globo ‘Cuca Legal’ (1975). Foi o último álbum do cantor lançado pela Motown Records e precedeu o álbum de sucesso ‘Off The Wall’ (1979).
Dedico esta primeira coluna ‘Retrô’ a Angélica Rizzi e aos amigos que compartilham comigo o gosto pela cultura de um passado que se recusa a morrer: André Rosa, produtor cultural e escritor, autor de livros como ‘Saudosos Anos 80’; Oswaldo Marques, músico/compositor do musisfera.com.br; e Leonardo Carbonera, outro grande fã da cultura oitentista. Até a próxima coluna! Valeu!